sexta-feira, 23 de novembro de 2012

A FÊNIX

Para minha lápide, uma breve mensagem
Que comemora e festeja, lamenta e corteja
O fim de outro começo, a passagem.
Para minha despedida, um falso adeus
Que abandona e liberta, aprisiona e desperta
O princípio do reencontro com os meus;
Para o meu enterro, um corpo inanimado
Que representa e simboliza, assimila ojeriza
O ritual que cabe ao tratado
Para minha morte, uma vida eterna
È o princípio outra vez, sou eu em vocês
O achado da busca perdida
Para minha ressurreição esta cena
Que aflige e entristece, deprime e aborrece
Episódio que precede a eternidade plena
Porque saudade deve ser a humilde homenagem a existência
E não o egoísta orgulho de sentir falta.
Falta de alguém que um dia você teve
E por algum motivo, não demonstrou no momento certo
O quanto essa pessoa era importante
De repente, percebe-se sem esta pessoa
E tem o sentimento de um vazio imenso
Que é expressado através de palavras
Essas que ficam no mesmo vazio daquela perda.
Tentando preencher o impreenchível.

Roseli Araujo
Feita para minha querida mãe, que faleceu no dia 12/07/1996, vítima de AVC, com apenas 46 anos, deixando muita tristeza e saudades. Para mim, ela é uma fênix.

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